DIGO

 Digo

digo dos trilhos da vida
o que me é dado
Sendo dobadora
e sendo lã
digo
Fiando o linho e sendo fio
digo
Sendo a lágrima
e o olhar
digo
sou também o que não dobei
e o que não fiei
e o que não chorei
sou aquilo que nunca vi
aquilo que não sei
porque nada me foi dito
nada me foi mostrado
e sem saber como
é este o meu fito
o caminho
a senda
e o arado
o finito e o infinito
está desde sempre
na minha pele tatuado
nas linhas das minhas mãos
tudo está escrito
e na minha alma guardado
digo
nada me foi dito
mas cada dia
no meu corpo magoado
grita o livre arbítrio
e louca fico
com o que pra mim
foi destinado
(in no flanco da loucura )

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