HUMOR DE SANGUE

 Humor de sangue


sim recorda-me prateada
sem idade e sem tempo
ladainha interrompida
melopeia do vento
quase entorpecida
quase rumo ...quase alento
asas rasgadas
esta voz rouca
este olhar sedento
esta fome de amar
este andar pausado e lento
de quem prefere voar
de quem não percebe o tempo
de quem teme tudo
sem verdade desconhecida
nem mentira crescida
neste suor prateado sou eu
aquela que passeia na noite
receando a chuva
receando tudo
vendo as máscaras das pessoas
palpando seus fogos- fátuos
em mágoas toda inteira
recebendo tudo sem peneira
e recuando para dentro
tão frágil sem minha ameia
que em humor de sangue semeia
nesgas de húmus pela terra inteira
em castelos de muito sofrimento

Margarida Cimbolin

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