OS MEUS AMIGOS
Os meus amigos
os meus amigos já morreram todos
.........não tenho amigos...............
morreram um a um como como tordos
a engrossarem a legião dos meus tordos
morreram porque não sabiam matar..
morreram na pior das batalhas...exilados
morreram n,outros países com outras gentes
na pior das guerras aquela que cada um travou
,,,,consigo mesmo.....
alguns voltaram mortos e jazem num cemitério qualquer
Eram jovens e lindos cheios de ideais... todos músicos...
poetas..... pintores ou simplesmente estetas...eram promessas !
Mas havia uma ...essa era especial ...lembrei-me dela hoje..
A Dalila
De pequenota esguia...gazela tímida.....muito bonita..
tornou-se na mais doce das mulheres......mulata...
alta e morena olhos negros de alcaçuz.....
Longos e negros cabelos onde a neve ......juraria....
..............retirar tão grande cruz...............
A Dalila......
minha longa amiga dos brancos vestidos....dos amores..
,,,,,,dos risos
..................sereias no mar................
.....nas tardes ribatejanas o rio a chamar....
contava historias dos enbomdeiros.....das acácias rubras
........a queimar......
e eu canções de ninar.....e eu lia versos de amar...
pelas tardes... loiras tranças ..cabelos negros esvoaçando...
.....tantos sonhos ....as mãos dadas a minha branca e esguia
a dela sombreada corria....
...................
Também ela partiu.....tinha de ser ,,,fugiu..
............
Amigos ...amigas,,,,,maduras e jovens espigas que o vento
quis ceifar...
A Dalila voltou muitos anos depois ......filhos já eu tinha dois....
Ela minguara... a face negra descorada....magra ...cabelo
grisalho e duro as veias esburacadas o passo inseguro..
e o ar de quem perdera a vida e o tino...
de quem fitava o tempo sem destino.....
Num enorme abraço ....escondendo os meus filhos com o braço
segredou-me a tremer,,,,Eutanásia ,,,quero morrer....
Amigos trá-los o Sol ...leva-os o vento.....os meus já foram
nunca mais será deles o seu tormento ......
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