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A mostrar mensagens de outubro, 2020

ENDECHAS A LISBOA

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Endechas a Lisboa pé ante pé escutando o som dos meus passos passo colho uma rosa desfolhada pétalas  laceradas de espinhos transformam em estrelas as pedras onde passo pés nus nas pedras de Lisboa... refaço a calçada passo a passo sou a Madragoa... nas sardinheiras me desfaço Corro.. corro por Lisboa.. flores de lis me tombam no regaço tombo em Alfama e roubo-lhe o compasso minha Lisboa.... conheces ... ...ainda os meus passos.... ergues-me muros estendes-me jardins.. Olha um estrela do mar ! no Tejo a boiar... dás-me o teu rio onde eu sonho marés.. constelações  que me dás...... .. tapetes para os meus pés.. Na mouraria no grito da rua ! onde coalhas luar roubas-me os vestidos para que os teça de novo dás-me o teu tear Lisboa é no bairro alto que baixo passo a passo escondida com medo mas é ainda o teu ar Respiro a minha cidade o lugar onde nasci antiga doce e amarga minha barca de fé e passo a passo deixo no chão a pegada do meu pé e vou guardando o caminho não vá perder-me...

FOTO DE ARQUIVO

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Da esquerda para a direita, Dorival Caymmi, Luiz Gonzaga, Tom Jobim, Caetano Veloso e Chico Buarque.

MIRÍADES

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Miríades miiriades de cristais saem de mim e explodem                   saem de uma pele que não é minha pequenos pontos de luz  coalham o chão como seixos e luzem como diamantes saem de um corpo que não é meu mas falam comigo sabem de mim colam-se ás plantas dos meus pés saem da minha cabeça como rosas florescem de raízes que mergulham no meu cérebro e sobem e crescem em silêncio quando caminho ficam nas minhas pegadas  inscrevem-se em luz nas linhas das minhas mãos rompem meus vestidos fiam o meu linho  tecem em mim invisíveis marcas que só eu vejo doem....magoam como o passado procuro no tempo e nada encontro são espinhos destas rosas que tombam de mim são amores de pombas brancas são rolas,,,penas... alegrias....esperanças são talvez andorinhas brancas que na ponta dos meus dedos.... ........ pintam de sangue as estrelas Margarida Cimbolini

1A PARTE DE UM LIVRO FEITO COM JOÃO DORDIO A DUAS MAOS

Mulher poema. DUETOS DORDIANOS 1A PARTE /exerto de um conto a duas mãos  que fiz com o João Dordio esta é a primeira parte que escrevi / Yokou-sun não conseguia tirar os olhos dos seus pés que respiravam liberdade ! Estavam ainda muito deformados e doíam -lhe bastante mas o alivio que sentia a caminhar era enorme ! Olhava quase com espanto...não lhe pareciam os seus pés ligados e comprimidos desde criança mas algo com vida própria desconhecido para ela.. Por segundos esqueceu a sua infância tão rica de memorias para mergulhar de novo no livro que tinha à sua frente e que compreendia com dificuldade mas que a enternecia até às lágrimas de tal modo se sentia transportada para o seu jardim rodeada de pequenos pessegueiros.... quando o lia ! Pegou na pequena caneta de prata que trouxera consigo da China e carinhosamente transcreveu uma pequena passagem da obra depois dobrou o manuscrito cuidadosamente e guardou-o no seio... ,, És mulher poema arregaçada com mãos tremidas Pela inspiraçã...

OUÇAM

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Ouçam  o restolhar das folhas o dourado dos seus olhos semicerrados quase já  dormidos Ouçam  o vento a despedir -se vai sorrindo.. É  o Outono a beijar as tardes.. Ouçam  vai devagar.... ....na brisa das nuvens... Encarpela levemente o mar.. ...a chuva promete  madressilvas.. Espreitam os diospiros.. As lareiras tocam cinzas e orvalhadas..... ....orvallhados ficam os verdes... e as fontes murmuram mais forte... Toda a natureza nostálgica  se aninha e enlanguece.. Ouçam  é  a magia da vida..... ...chama o silêncio  do amor... a salpicar as gentes.. Ouçam  como chama como se oferece... ...servindo o tempo... Recebendo o Inverno.... ....Durmo nas folhas secas... sou uma delas.. ..pela manhã  leva-me o amor.. Ouçam ... procuro o ninho no branco postigo.. .....no caminho de ser..na verdade.. ...o Sol viu-me e brilhou...  Margarida Cimbolini

NÓS

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Nós meu amor nós éramos Deuses éramos apóstolos nas nossas vestes longas nos nossos pés descalços... rompendo areias e sargaços.. e nos teus cabelos compridos quantos sonhos se enredaram entre os meus...bastos mas cortados ....... ainda tenho .... ........sonhos aos pedaços sonhos que me caem como chuva de prata .......nas mãos alagadas de ouro....... .......nos dedos alagados em poetas.... na voz rouca de te chamar.... ....em perfumes desencadeados ............em ideias......  entre tumultos  ......................entre caminhos  .........................................gentes e sulcos entre as mãos postas em rosas..... entre torrões ...em terras arenosas.... Só na música os deixo poisar....... .....nas notas do piano ...revoltos... loucos ..ansiosos... no saxofone berrando amor...na flauta a banhar-nos... no violino a embalar-nos e em todos ...............és tu a tocar....... Meu amor.....éramos  loucos ....éramos anjos... a subir...a tripar em arcanjos.. em fumos ...

INQUIETANTE

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Inquietante Inquietante é  a vida... Sempre me inquietou Nunca a dei por garantida Nunca julguei quem a perdeu... ....nem exaltei quem a ganhou.. Não será vida perdida a de quem nunca sonhou .. !!? Quantas vezes a julgamos certa e corrida... e tudo cai...na descida..tudo tomba... **** certezas...o vento já as levou ! Inquietantes estes dias baralhados onde a poesia resvala... ****foge a poesia ! no rumo que a vida tomou ! Tenho saudades loucas dos meus poetas...são afinal saudades moucas... ****que não ouvem os meus brados... Os meus poetas com mil anos sempre inquietados ! Agora não os leio recordo de memória... Pois tão inquieta me sinto...que fujo da sua história  ! A vida...a morte...o amor ! Triologia...base de tudo.. São estes dias confusos...onde esbatida se pinta uma real dor.. Não a dor garantida de quem quer muito da vida... Mas uma dor concreta e anunciada...um medo de quem respira....a ver a respiração ameaçada... Dias inquietos.. Dias cansados... Mas dias mesmo as...

NÃO

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Não E......Não me deem conselhos desviem ...saiam de mim deixem que viva sendo a morte já breve morra por mim o primeiro Esse que não anda perdido esse que sabe esse tão rasteiro esse milho na desfolhada que por ser vermelho conhece o trilho e a estrada a mim que me importa isso ! Sou eu que sofro se existo ! sou eu o batel á driva escondido na enseada parca seiva a que me chega parca água nesta sede parco o vinho todo o que beba ! Muita é a dor da tormenta  ! Pois desviem desconheçam... não me tatuem razões nem forneçam adagas.. Prego que seja que  eu pregue sempre por vós ordenado volta para mim em estilete em punhal bem cravado Fazei favor que vos peço nem me olhem nem me queiram passem largo e de lado e não me dêem conselhos.... Esta batalha doí muito... e eu não sei ser soldado todo o conselho do mundo ........cada segundo me é dado... passai longe e de lado...... Margarida Cimbolini (no flanco da loucura )

NA NOITE

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A noite Deolinda deitou os gaiatos.. ***era tempo ao longe baixava o Sol poente.. **** no mar gemiam sargaços.. Depois foi ao galinheiro..a rica era a poeideira... e tinha ovo..a gaiteira.. Deolinda guardou os ovos..comeu o jantar... ****olhou pela janela..daqui a pouco estaria luar ! Sentou -se à mesa..serviu mais um copo ! ..era bom o vinho... **** como era bom o azevinho e era bom o Natal ! O homem tardava.. Meu amor não tardes tanto.. **** era um amor de abraçar.. A pequenita chorou ..Deolinda correu a embalar ! Esta noite choveu tanto. ...pensava olhando o céu... E o seu homem tardava..tardava.. Encheu outro copo ...a gaiata ..a mais pequena essa já não chorava ! Deolinda olhou os filhos..olhou a casa ..a casa branca e rosada ! Olhou as tábuas do chão...lisas corridas cheirosas ! tal como ela e o seu João.. Que lindo amar ! Sentiu-se feliz ! O copo a ajudar .. Era boa a vida assim na terra ..pés descalços no chão  ! E ao Domingo a música do sino..a tocar..a chamar ! E ela e o ...

ESCREVER

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Escrever Escrever..escrever até que a mão me doa.. Comer ...comer poesia ao almoço ao jantar e à ceia ! Trincar versos mastigar rimas montar este cavalo louco nem que lhe arranque as crinas.... Sou neste mundo louca ..insana..sossobro nesta terra onde se vive este enorme drama ! Lisboa de que vale seres linda ! Alfama de que vales seres dama... **** a morte em ti vindima e das uvas eu nem vejo a rama ! Gargalhadas no mar alto ! E no Rossio riem os pombos... **** à desgarrada ! Então dos pombos vinham danos... **** e agora morrem aos montes... ! São os pombos desenganos ! Como é bom gritar da monotonia ..da Paz e da Poesia ! É nas tábuas dos caixões que reina essa anarquia ! Como é bom sorrir e cantar da beleza da vida ! A vida ri de nós  ! **** não é garantida ..! Mas o amor ...o sorriso e o orgasmo esse está garantido na cama do sarcasmo ! Povo de poetas de corruptos e de ascetas.... O povo vai gritar de fome ! E na pandemia morrem espertos e asnos ! Os asnos levam muitos...mas é ...

UNIVERSO

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Universo A visão do Universo é una..plena..cheia ! Sem barreiras ... Só o ar existe só ele é real.. É através do ar que tudo subsiste  ! É o ar que tonifica e dá... Sem ele pedras seriam escolhos e desaparecia a vida ! Universo amigo ..cores do arco íris..de flores de cheiros e de sabores.. É a visão da casa  ..do abrigo ! **** Um pouco de mim tem medo de um abismo de um perigo ...de uma escolha .. **** Espero...e atento.. !. Tudo se abre   a seu tempo ! **** Embaraço às vezes numa teia muito tênue mas verdadeira.. E travo cada dia esta batalha entre mim e comigo é uma constante peleia... Páro..recuo e prossigo... Hoje maré vazia !..Amanhã maré cheia ... Universo amigo fazes de mim guerreira... **** Mas é numa serena e inquieta liberdade que gozo as minhas memórias e persigo ansiosa estas marés... Sou neste mar onde vivo um ligeiro batel onde remo evocando o vento... Com rumo mas sem intento ..! Universo quero estar contigo ! caminho a contento e sei que estás cá...!...

O ROSTO E A ALMA

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O rosto e alma Estes olhos... *** dois luzeiros fundos no rosto miúdo.. Avelãs feitas de espanto a ladear o nariz...meão  ! A boca pequena vermelha atrevida ! Sem sorriso..fechada.. ai quem me dera um sorriso na vida ! Que me desse vida airada... Quando se ri ..ri todo o rosto à gargalhada... As rugas deste rosto foram cavadas com uma enchada.... O pé pequeno ..mão delicada...tímida a palavra ...mas não assustada ! Feita de versos...feita de sons...feita de nervos...de vozes..e de silêncios... Amada sempre muito amada arrogante mimada ! Tão feliz...tão cheia de amor....e tão amargurada ..! Ribeiro de linho a minha vida...pés de algodão asas de pomba ou de gavião..salgueiros à minha beira.. **** e esta mão sempre dada a outra mão  !... uma sombra.. um anjo de brancura..a protecção e o mar numa ternura num luar num beijo numa quentura.. Um lavar de coração... Mas que viagem é esta...?!  Corro que nem uma seta...nunca me vejo chegar ! E já perdi a memória desafiei a razão...

DIGO

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  Digo digo dos trilhos da vida o que me é dado Sendo dobadora e sendo lã digo Fiando o linho e sendo fio digo Sendo a lágrima e o olhar digo sou também o que não dobei e o que não fiei e o que não chorei sou aquilo que nunca vi aquilo que não sei porque nada me foi dito nada me foi mostrado e sem saber como é este o meu fito o caminho a senda e o arado o finito e o infinito está desde sempre na minha pele tatuado nas linhas das minhas mãos tudo está escrito e na minha alma guardado digo nada me foi dito mas cada dia no meu corpo magoado grita o livre arbítrio e louca fico com o que pra mim foi destinado (in no flanco da loucura ) Margarida Cimbolini

VILA NOVA DE POIARES......DIA DE VERÃO 2020

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VEJAS BEM

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Vejas bem por entre as brumas lá onde o Sol se esconde nas dunas nas dunas do nosso amor deixei as minhas pegadas estão lá para ti Terás a areia mais macia e um caminho trilhado na luz a cheirar ainda a maresia Apanha os beijos do ar deixei-os como guia segue devagar ou morre meu amor é noite e esperei-te todo o dia... Margarida Cimbolin  

Os meus poetas !

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OUÇAM

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Ouçam  o restolhar das folhas o dourado dos seus olhos semicerrados quase já  dormidos Ouçam  o vento a despedir -se vai sorrindo.. É  o Outono a beijar as tardes.. Ouçam  vai devagar.... ....na brisa das nuvens... Encarpela levemente o mar.. ...a chuva promete  madressilvas.. Espreitam os diospiros.. As lareiras tocam cinzas e orvalhadas..... ....orvallhados ficam os verdes... e as fontes murmuram mais forte... Toda a natureza nostálgica  se aninha e enlanguece.. Ouçam  é  a magia da vida..... ...chama o silêncio  do amor... a salpicar as gentes.. Ouçam  como chama como se oferece... ...servindo o tempo... Recebendo o Inverno.... ....Durmo nas folhas secas... sou uma delas.. ..pela manhã  leva-me o amor.. Ouçam ... procuro o ninho no branco postigo.. .....no caminho de ser..na verdade.. ...o Sol viu-me e brilhou...  Margarida Cimbolini

INQUIETANTE

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  Inquietante Inquietante é a vida... Sempre me inquietou Nunca a dei por garantida Nunca julguei quem a perdeu... ....nem exaltei quem a ganhou.. Não será vida perdida a de quem nunca sonhou .. !!? Quantas vezes a julgamos certa e corrida... e tudo cai...na descida..tudo tomba... **** certezas...o vento já as levou ! Inquietantes estes dias baralhados onde a poesia resvala... ****foge a poesia ! no rumo que a vida tomou ! Tenho saudades loucas dos meus poetas...são afinal saudades moucas... ****que não ouvem os meus brados... Os meus poetas com mil anos sempre inquietados ! Agora não os leio recordo de memória... Pois tão inquieta me sinto...que fujo da sua história ! A vida...a morte...o amor ! Triologia...base de tudo.. São estes dias confusos...onde esbatida se pinta uma real dor.. Não a dor garantida de quem quer muito da vida... Mas uma dor concreta e anunciada...um medo de quem respira....a ver a respiração ameaçada... Dias inquietos.. Dias cansados... Mas dias mesmo assim...

NÃO

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  Não E......Não me deem conselhos desviem ...saiam de mim deixem que viva sendo a morte já breve morra por mim o primeiro Esse que não anda perdido esse que sabe esse tão rasteiro esse milho na desfolhada que por ser vermelho conhece o trilho e a estrada a mim que me importa isso ! Sou eu que sofro se existo ! sou eu o batel á driva escondido na enseada parca seiva a que me chega parca água nesta sede parco o vinho todo o que beba ! Muita é a dor da tormenta ! Pois desviem desconheçam... não me tatuem razões nem forneçam adagas.. Prego que seja que eu pregue sempre por vós ordenado volta para mim em estilete em punhal bem cravado Fazei favor que vos peço nem me olhem nem me queiram passem largo e de lado e não me dêem conselhos.... Esta batalha doí muito... e eu não sei ser soldado todo o conselho do mundo ........cada segundo me é dado... passai longe e de lado...... Margarida Cimbolini (no flanco da loucura

CASCATA

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  Cascata Sinto - me cascata.. Tombo na pele da minha manhã.. Tombo do alto dos meus sonhos ....sonhos inquietos revoltos que me dizem de mil memórias.. Cascata que corre que vai e volta.. Àgua que sou e onde mergulho.. ****Mar de verdes versos onde corre pequeno rio de doces vidas...sem historia ! Amo este nascer em cada dia.. onde estendo ao Sol as minhas escamas.. Às vezes entro na tua pele morena e macia... no veludo dos teus olhos... Moldo - me como àgua nas veias desse rio onde me deixo ir... Sinto esse eterno poema da vida... ...e escorro num grande orgasmo de amor... Singular em mim..singular no mundo.. respiro a pluridade do mar. Margarida Cimbolini